sábado, 15 de novembro de 2014

A Procissão do Espírito

No descanso de vigília
Imiscuem-se os sonhos
Em pinturas perdidas
De uma civilização
Submersa no pó
De ouro em arco


Minh'alma dispersa
No sono matutino
Soturna desvanece
na vaga noite insípida
De uma aterradora incógnita
E douradura e dolente descida

Lá, decresce a via crúcis
ponderada alma que se extravia
Em agoras, na fabulosa cidade
De vazias muralhas
E indulgências cautelosas

Que as pernas em chagas
Suporte a descida
Onde as trombetas dos anjos
Não penetram o abismo

Que o corpo lasso
Triste, contingente e seco
Devore a alma
Em fragmentos inconstituíveis
E que ao despertar
Ainda o torpe e rude pensar

Não me tenha por aquilo
Que fui nem pelo que serei
E encerre a última trama
Destes loureiros laços remotos.